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Amortizar na tabela Price: reduzir o prazo ou reduzir a parcela
Num contrato de R$ 480 mil na tabela Price, só R$ 81,97 da parcela abatem a dívida no primeiro mês. O que um aporte de R$ 10 mil faz em cada um dos dois botões do banco, e o que um plano de R$ 2 mil por trimestre faz no contrato inteiro.
O vídeo que deu origem a este artigo: Amortizar na Price: reduzir o prazo ou reduzir a parcela no financiamento imobiliário?
A resposta curta: na tabela Price, reduzir o prazo devolve muito mais dinheiro do que reduzir a parcela. No contrato que abrimos no aplicativo, um aporte de R$ 10.000 evita R$ 374.102,95 de juros quando vai para o prazo e R$ 31.533,66 quando vai para a parcela. É quase doze vezes de diferença pelo mesmo dinheiro. Mas a escolha entre os dois botões não é a decisão mais importante que você tem para tomar. A mais importante é começar cedo, porque no começo de um contrato na Price a sua parcela quase não abate a dívida.
Os números abaixo saem todos do mesmo contrato, rodado no motor do aplicativo Crédito Sem Mistério. A data de referência está no fim do texto.
O contrato que está na mesa
É um contrato do Bradesco na tabela Price, com saldo devedor de R$ 480.000,00, 420 meses pela frente e taxa de 12,30% ao ano.
O boleto tem duas partes que se comportam de maneiras diferentes:
| Componente | Valor |
|---|---|
| Parcela do financiamento | R$ 4.744,47 |
| Encargos fixos (seguro de morte e invalidez, seguro do imóvel e tarifa de administração) | R$ 165,38 |
| Boleto, antes da correção | R$ 4.909,85 |
Do jeito que está, sem nenhum aporte, esse contrato paga R$ 1.512.705,72 de juros até o fim. É esse número que tudo o que vem abaixo tenta reduzir.
Por que a dívida quase não anda no começo
Abrindo a próxima parcela, com a correção projetada pela média da TR dos últimos doze meses, o boleto fica em R$ 4.917,92. Por dentro, ele se divide assim:
| Dentro do boleto de R$ 4.917,92 | Valor |
|---|---|
| Juros do mês | R$ 4.670,57 |
| Encargos fixos | R$ 165,38 |
| O que abate a dívida | R$ 81,97 |
Oitenta e um reais e noventa e sete centavos. É isso que sai do seu saldo devedor depois de você pagar quase cinco mil reais.
E tem a outra ponta. No mesmo mês, a correção do saldo pela TR entra com R$ 816,00. O saldo devedor termina o mês em R$ 480.734,03, ou seja, mais alto do que começou. A correção entrou praticamente dez vezes maior do que a amortização.
Essa é a razão pela qual tanta gente nos procura dizendo que paga o financiamento há anos e o saldo devedor não desce. Não é erro do banco. É como a tabela Price é montada: a parcela é sempre a mesma, e dentro dela a fatia de juros começa quase inteira e vai cedendo espaço para o principal muito devagar. A parte que abate a dívida cresce cerca de um real por mês no início deste contrato: R$ 81,97 no primeiro, R$ 82,90 no segundo, R$ 83,85 no terceiro. Ela termina invertida, com a amortização na casa dos milhares e os juros no chão, mas isso acontece na reta final do contrato, não no meio dele. Quem espera a tabela virar sozinha espera sentado.
Uma coisa que não muda com aporte nenhum: amortizar não reduz seguro nem tarifa. Os R$ 165,38 de encargos fixos continuam inteiros no boleto até a última parcela. Amortização age sobre o principal e sobre os juros, nunca sobre os encargos.
Os dois destinos de um aporte de R$ 10.000
Quando você chega no banco com dinheiro para amortizar, ele pergunta o que fazer com o resultado: encurtar o prazo ou diminuir a parcela. É a mesma amortização, o mesmo saldo novo, e dois destinos diferentes.
| O que você pede | Prazo | Boleto | Juros no fim | Juros evitados |
|---|---|---|---|---|
| Reduzir o prazo | 420 para 339 meses | R$ 4.909,85 | R$ 1.138.602,77 | R$ 374.102,95 |
| Reduzir a parcela | 420 meses, sem mudança | R$ 4.811,01 | R$ 1.481.172,06 | R$ 31.533,66 |
Reduzir o prazo tira 81 meses do contrato, seis anos e nove meses, e o boleto continua exatamente o mesmo. Cada real aportado evita R$ 37,41 de juros.
Reduzir a parcela derruba o boleto em R$ 98,84 por mês e não mexe no prazo. Cada real aportado evita R$ 3,15 de juros.
A diferença entre as duas colunas não é de estilo. Com dez mil reais, mais ou menos o valor de duas parcelas deste contrato, você está escolhendo entre eliminar oitenta e uma prestações do fim da sua vida ou ganhar noventa e oito reais por mês de fôlego agora.
E reduzir a parcela não é errado. Existe quem escolheu a tabela Price justamente porque a parcela cabe melhor no orçamento, e existe quem esteja num momento em que cem reais por mês fazem diferença de verdade. Fôlego é um produto legítimo, e esse caminho entrega fôlego. O que ele não entrega é prazo. Saber quanto custa é o que transforma isso em escolha.
O plano pequeno e repetido
A objeção mais comum não é se vale a pena amortizar. É que quase ninguém tem dez mil reais parados. Então vale rodar o caso oposto: valores pequenos, entrando sempre.
O plano é R$ 2.000 a cada três meses, quatro aportes por ano, sempre reduzindo o prazo.
| Plano | Aportes | Total aportado | Prazo | Juros no fim | Juros evitados |
|---|---|---|---|---|---|
| R$ 2.000 por trimestre, 3 anos | 12 | R$ 24.000 | 420 para 292 meses | R$ 930.146,62 | R$ 582.559,10 |
| R$ 2.000 por trimestre, 5 anos | 20 | R$ 40.000 | 420 para 261 meses | R$ 797.812,88 | R$ 714.892,84 |
Três anos de aportes de dois mil reais, R$ 24.000 no total, cortam 128 meses do contrato. Dez anos e oito meses a menos, e os juros caem de R$ 1,5 milhão para R$ 930 mil.
Estendendo para cinco anos, R$ 40.000 no total, o contrato encolhe 159 meses e o total de juros cai para menos de oitocentos mil reais. Cada real aportado evita R$ 17,87 de juros.
Repare que a alavanca por real é menor no plano longo do que no aporte único de R$ 10.000 (R$ 17,87 contra R$ 37,41). Isso não é defeito do plano. É consequência de o dinheiro entrar mais tarde: quanto mais cedo o real entra, mais juros futuros ele apaga. O plano ganha no total porque aporta quatro vezes mais dinheiro, não porque cada real renda mais.
Dois mil reais por trimestre não é pouco dinheiro. Mas neste contrato é menos da metade de uma parcela, diluído em três meses. É a ordem de grandeza que a maioria das pessoas consegue separar quando decide separar.
As condições que limitam tudo isso
Nenhum número acima é uma lei. Eles valem dentro de quatro condições, e vale conferir cada uma antes de decidir.
A projeção roda com a TR em zero. O total de juros do seu contrato depende da correção do saldo ao longo de décadas, e ninguém sabe qual vai ser a TR de 2040. Por isso a projeção do planejador trabalha com a TR zerada. Isso vale para as duas colunas de cada tabela igualmente, então a comparação entre elas continua de pé, mas o número absoluto de juros é uma projeção, não uma previsão. A norma permite que o contrato tenha cláusula de atualização do saldo devedor pela remuneração básica da poupança, que é a TR (Resolução CMN 4.676/2018, art. 5º). Se o seu tem, está escrito nele.
O seu banco precisa aceitar a rotina. O plano trimestral supõe amortizar de três em três meses sem valor mínimo e sem tarifa. Isso está no seu contrato, e se muda de banco para banco.
O contrato de exemplo é um contrato de exemplo. Saldo, prazo, taxa e idade mudam tudo. A conclusão de que o prazo ganha da parcela é robusta na tabela Price, mas o tamanho da diferença é do seu caso, não deste.
O motor foi validado contra extrato real de Itaú e Bradesco. Nos outros bancos suportados os números são a modelagem do sistema de amortização de cada um, e não a conferência contra um extrato.
O que fica
Na tabela Price, o começo do contrato quase não abate a dívida: são R$ 81,97 dentro de um boleto de R$ 4.917,92.
Reduzir o prazo devolve quase doze vezes mais juros do que reduzir a parcela pelo mesmo aporte.
Reduzir a parcela é uma escolha legítima quando o que falta é fôlego no mês. Ela custa prazo, e agora você sabe quanto.
Valor pequeno entrando sempre resolve: R$ 2.000 por trimestre durante cinco anos cortam 159 meses deste contrato.
Quanto mais cedo o dinheiro entra, mais ele vale. O primeiro real aportado apaga mais juros do que o último.
Se você tem contrato assinado e quer rodar essa conta no seu caso, o aplicativo Crédito Sem Mistério cadastra o contrato, monta o gráfico da vida da dívida e tem o simulador de amortização que compara prazo e parcela no seu saldo, mais o planejador de quitação para testar aportes antes de tirar o dinheiro do bolso. São sete dias de teste grátis em creditosemmisterio.com.br.
Os números deste artigo saíram do simulador da CSM em 15/09/2026 (motor amortizacao@eea4402+local).
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