Blog · Comparação de bancos
Financiamento de R$ 600 mil: qual banco faz mais sentido em 2026
Itaú, Santander, Bradesco, Inter e Caixa comparados num financiamento de R$ 600 mil, com parcela, CET e custo total vigentes. Por que a menor taxa nem sempre é a mais barata e o que mais pesa na decisão.
O vídeo que deu origem a este artigo: Financiamento Imobiliário R$ 600 Mil - Caixa, Itaú, Santander e Bradesco. Qual o melhor banco?
A resposta curta: para um financiamento de R$ 600 mil em setembro de 2026, o Santander tem o menor custo efetivo entre os bancos privados que a CSM opera, com CET de 12,21% ao ano e parcela inicial de R$ 7.200,10 em 420 meses. A Caixa aparece com CET menor na tabela, mas na prática a tarifa cobrada na agência costuma anular a diferença. E a decisão mais importante nem é o banco: é o prazo e o plano de amortização, que mudam o custo total em centenas de milhares de reais.
Abaixo está a conta inteira, com os números do simulador da CSM na data desta publicação. Os valores mudam quando os bancos mudam as taxas; a data de referência está no fim do artigo.
O cenário
- Imóvel de R$ 750 mil, com 20% de entrada (R$ 150 mil), que é o mínimo que os bancos costumam pedir.
- Financiamento de R$ 600 mil, sistema SAC, prazo máximo de 420 meses, com comparação em 360 e 240 meses.
- Taxas do segmento de alta renda de cada banco (Personnalité no Itaú, Select no Santander, Prime no Bradesco). O enquadramento no segmento depende da sua renda e é confirmado na análise de crédito.
- Comprador de 36 anos. A idade muda o seguro de vida embutido na parcela, então uma pessoa mais velha vê parcelas um pouco maiores.
Banco a banco
| Banco | Taxa (a.a. + TR) | Parcela inicial (420 m) | CET (a.a.) | Custo total (420 m) |
|---|---|---|---|---|
| Santander | 11,69% | R$ 7.200,10 | 12,21% | R$ 1.825.145,70 |
| Bradesco | 12,30% | R$ 7.431,97 | 12,73% | R$ 1.874.625,90 |
| Itaú | 12,25% | R$ 7.449,57 | 12,77% | R$ 1.878.384,90 |
| Caixa (referência) | 11,49% | R$ 7.113,87 | 12,03% | R$ 1.809.557,40 |
| Inter | 9,99% + IPCA | não financia 80% |
Três leituras dessa tabela:
A taxa que importa é o CET. O custo efetivo total soma juros, seguros obrigatórios (MIP e DFI) e a tarifa de administração. É ele que diz quanto o dinheiro custa de verdade. Entre Santander, Bradesco e Itaú a diferença de CET é de meio ponto percentual, o que em 35 anos vira mais de R$ 50 mil de diferença no custo total.
O Inter tem a menor taxa e não entra na comparação. Os 9,99% do Inter são somados ao IPCA, não à TR. Em um ano de inflação de 4% a 5%, o custo real passa dos concorrentes. Além disso, o Inter financia no máximo 75% do imóvel, então não faz os 80% deste cenário.
A Caixa é mais barata no papel e nem sempre na prática. O CET da Caixa é o menor da tabela. Só que, na maioria das contratações feitas pela agência, o cliente paga uma tarifa que pode chegar a 2% do valor financiado, o que em R$ 600 mil são até R$ 12 mil. A parcela da Caixa é R$ 86 menor que a do Santander; levaria mais de 11 anos para recuperar R$ 12 mil com essa diferença. É por isso que a comparação precisa incluir o custo de contratar, não só a taxa.
O que está dentro da parcela
No SAC, a parcela tem três partes. Em 420 meses, para R$ 600 mil:
- Amortização: R$ 1.428,57 por mês, igual em todos os bancos. É o valor financiado dividido pelo prazo, e é o que reduz o saldo devedor a cada pagamento.
- Juros: calculados sobre o saldo devedor. No primeiro mês, R$ 5.553 no Santander, R$ 5.806 no Itaú e R$ 5.828 no Bradesco. Caem todo mês, porque o saldo cai.
- Seguros e tarifa: MIP (seguro de vida) e DFI (seguro do imóvel), entre R$ 150 e R$ 193 por mês nos três bancos nesta idade, mais R$ 25 de tarifa mensal de administração.
Como a amortização é fixa e os juros caem, a parcela começa alta e termina baixa: no Santander, de R$ 7.200,10 na primeira para R$ 1.491,07 na última.
O prazo muda mais do que o banco
Este é o número que mais surpreende quem simula pela primeira vez. No Santander:
| Prazo | Parcela inicial | Custo total | Diferença |
|---|---|---|---|
| 420 meses | R$ 7.200,10 | R$ 1.825.145,70 | |
| 360 meses | R$ 7.438,20 | R$ 1.650.126,60 | R$ 175.019,10 a menos |
| 240 meses | R$ 8.271,53 | R$ 1.300.083,60 | R$ 525.062,10 a menos |
Por R$ 238 a mais na parcela, você paga cinco anos a menos e economiza R$ 175 mil. Se a renda comporta, o prazo menor quase sempre vence. Se não comporta hoje, o caminho é o próximo item.
Amortizar uma parcela por ano
Quem contrata em 420 meses e amortiza uma parcela extra por ano, todo ano, muda o contrato de forma radical. No cenário do Santander, com aportes anuais de R$ 7.200,10 até o fim:
- Total aportado: R$ 136.801,90 em 19 aportes.
- Prazo: de 420 para 223 meses, ou seja, 16 anos e 5 meses a menos.
- Juros: de R$ 1.169.100 para R$ 663.470,73, uma economia de R$ 505.629,27.
Cada real aportado evita R$ 3,70 de juros. É a conta que faz o financiamento de 35 anos virar um de 18, sem apertar a parcela mensal.
Os custos fora da parcela
Financiar R$ 600 mil de um imóvel de R$ 750 mil tem custos que não entram no contrato:
- ITBI: imposto municipal sobre o valor da compra. Na maioria das cidades é 3%, o que dá R$ 22.500 neste cenário. Confira a alíquota do seu município.
- Registro em cartório: varia por estado; a estimativa de trabalho é em torno de R$ 11 mil para este valor. Se este for o seu primeiro imóvel financiado no SFH, o registro tem 50% de desconto. Para a operação ser SFH, o imóvel precisa ter avaliação de até R$ 2,25 milhões e a taxa de juros contratada precisa ficar abaixo de 12% ao ano, o que neste cenário o Santander cumpre e o Itaú e o Bradesco não.
- Tarifa de avaliação do imóvel: cobrada pelo banco; o valor aparece na sua simulação.
Os bancos permitem financiar até 5% a mais para cobrir essas despesas, desde que você não esteja no teto de 80% do valor do imóvel. Neste cenário, com 20% de entrada, não cabe.
O que mais pesa na aprovação
A renda define quanto você consegue financiar. A regra geral dos bancos é comprometer até 30% a 35% da renda com a parcela. O Santander costuma aceitar até 40%, o que faz diferença: com renda de R$ 25 mil, a parcela máxima fica em torno de R$ 7.500 na maioria dos bancos e perto de R$ 10 mil no Santander. É a diferença entre aprovar R$ 600 mil e aprovar bem mais.
Por isso "qual banco é melhor" tem duas respostas: a do custo, que está na tabela, e a da aprovação, que depende do seu caso.
O que fica
- Compare pelo CET e pelo custo total, não pela taxa de propaganda.
- Inclua o custo de contratar: tarifa na agência, avaliação, ITBI e registro.
- Escolha o menor prazo que a sua renda comporta.
- Contrate com um plano de amortização desde o primeiro ano.
- Considere o relacionamento: o banco que facilita amortizações e responde rápido vale mais ao longo de 20 anos do que meio ponto de taxa.
Os números deste artigo saíram do simulador da CSM em 02/09/2026 (motor financiamento@c808013, TR de referência da mesma data). Quando os bancos alteram taxas, a simulação é a fonte atualizada.
Leia também
Crédito com garantia de imóvel
Trocar dívida cara pelo empréstimo com garantia de imóvel: R$ 126.766 a menos no mesmo prazo
Trocar R$ 100 mil de crédito pessoal por um empréstimo com garantia do imóvel devolve R$ 126.766 a menos quando o prazo é mantido em 36 meses. O que acontece com essa economia quando o prazo estica, e quanto custa entrar na operação.
Amortização e quitação
Amortizar na tabela Price: reduzir o prazo ou reduzir a parcela
Num contrato de R$ 480 mil na tabela Price, só R$ 81,97 da parcela abatem a dívida no primeiro mês. O que um aporte de R$ 10 mil faz em cada um dos dois botões do banco, e o que um plano de R$ 2 mil por trimestre faz no contrato inteiro.
Processo e aprovação
Crédito aprovado antes do imóvel: como funciona a proposta de aprovação
A proposta de aprovação de crédito não exige imóvel escolhido, e a carta aprovada tem prazo para usar. O que muda no preço e na negociação quando o crédito vem antes da escolha, com os números do simulador da CSM.